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Mudanças para proibir a 'Uberlância', reduzir faltas e agilizar exames, tudo pelo Conecta+ Olímpia
A prestação de contas da Saúde de Olímpia, realizada na noite desta terça-feira (19) na Câmara Municipal, serviu não apenas para apresentar os números do primeiro quadrimestre de 2026, mas também para expor gargalos da rede e anunciar mudanças no sistema de atendimento. O secretário municipal de Saúde e vice-prefeito, médico Márcio Iquegami, afirmou que o município prepara uma reformulação completa do agendamento de consultas e exames para reduzir faltas, evitar desperdícios e encurtar filas. Fotos Leonardo Concon

O relatório mostra que Olímpia investiu R$ 35,6 milhões em saúde entre janeiro e abril. Desse total, R$ 26,9 milhões foram aplicados com recursos próprios, o equivalente a 25,96% da receita municipal, percentual acima do mínimo constitucional de 15%.

Ao comentar os números, Iquegami afirmou que o principal desafio está no aproveitamento da estrutura já existente. “Sem sombra de dúvida, a gente perde 20% de tudo que é agendado.”

Segundo o secretário, nas consultas com especialistas o índice de ausência chega a 25%. Em algumas áreas, como dermatologia, o problema é ainda maior.

“Nós tivemos 48% de falta na dermatologia. Eu perdi metade das consultas do mês.”

Para enfrentar o problema, a Secretaria de Saúde pretende implantar um novo sistema integrado ao aplicativo Conecta+ Olímpia. O paciente poderá solicitar consultas e exames pelo celular, acompanhar resultados e confirmar ou cancelar agendamentos.

“Daqui a alguns meses, a hora que o médico solicitar o exame, ele vai cair diretamente no sistema.”
A proposta também prevê travas eletrônicas para impedir duplicidade de exames e consultas repetidas, uma das falhas apontadas pelo secretário.
“Semana passada o ortopedista me mostrou um paciente que fez dois ultrassons do mesmo ombro em 15 dias. Essa falha é nossa.”

Iquegami destacou que a fila para ressonância magnética continua sendo um dos pontos mais sensíveis da rede. A oferta, segundo ele, depende do Estado e ainda é insuficiente.
“O ano passado nós passamos meses fazendo 10 ou 12 exames por mês. Agora melhorou, estamos em torno de 40, mas ainda precisamos de ajuda.”
O secretário acrescentou que cerca de 20% dos pacientes agendados para ressonância não comparecem, o que faz o município perder vagas já disponibilizadas.

A TeleUPA, atualmente com cerca de mil atendimentos mensais, também deverá ganhar novas funções.
“É uma ferramenta muito boa. Se soubermos usar, vai ajudar demais a população.”
O projeto inclui teleconsultas para triagem e interconsultas entre médicos da atenção básica e especialistas, permitindo resolver parte dos casos sem encaminhamento presencial.
Um ponto importante: Márcio Iquegami orientou que a teleconsulta deve diminuir, o máximo possível, de emissão de atestados para faltas ao trabalho.

Questionado pelos vereadores sobre o transporte sanitário, Iquegami explicou que o serviço é destinado a pacientes em tratamento e não pode ser usado para deslocamentos particulares.
“Se a pessoa está dentro do supermercado fazendo compras, ela não está precisando de ambulância.” Ele citou que tem usuário, inclusive em distritos, que chamam a 'uberlância' com sacolas de supermercado na mão. "Assim não dá, né?"
O secretário informou que a Prefeitura já iniciou processo para aquisição de três novas ambulâncias e uma unidade de suporte avançado.

Iquegami afirmou que encontrou a frota da Saúde em situação crítica no início da gestão. “Quando eu cheguei, nós tínhamos 28 veículos no setor de frotas e apenas nove estavam rodando.”
Segundo ele, quase R$ 800 mil foram investidos em manutenção ao longo do ano passado para recuperar parte da estrutura, inclusive veículo adquirido em 2023.

O balanço apresentado na Câmara registra:
Participaram do debate os vereadores Sônia Guerra, Marcão Coca, Luiz Salata e Sargento Renato Barrera, que abordaram temas como absenteísmo, repetição de exames, programa Melhor em Casa, telemedicina, transporte sanitário e renovação da frota.

O presidente da Câmara, Flávio Olmos, também esteve presente, assim como o vereador Otávio Hial, mas não fizeram questionamentos. O vereador Sandro Pires estava representado pelo advogado e assessor Emerson Amin Jr.

Ao encerrar a audiência, Iquegami agradeceu à equipe da Secretaria de Saúde e afirmou que a modernização do sistema depende tanto da administração quanto da colaboração da população. “Sem a equipe da Saúde, eu não conseguiria fazer nem 5% do que eu sonho", disse.




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