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Revisão do PDDT confirma força do turismo e cobra maturidade do trade em Olímpia
A Estância Turística de Olímpia realizou nesta sexta-feira (23) a audiência pública da 2ª Revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico (PDDT), documento que orienta as políticas públicas do setor para o período de 2026 a 2029. O encontro, aberto à participação popular na Câmara Municipal, reuniu representantes do poder público, vereadores, empresários do turismo, hotelaria, parques, pousadas e sociedade civil.

O objetivo foi apresentar a atualização do plano, exigida por lei a cada três anos, e debater diretrizes para um setor que responde por cerca de 65% da economia local, gera aproximadamente 10 mil empregos diretos e indiretos e movimenta R$ 1,2 bilhão por ano no município.
Estiveram presentes os vereadores Renato Barrera, Gustavo Pimenta, Sônia Guerra, Sandro Pires e Otávio Hial.

Durante a apresentação técnica, o consultor Rodrigo Marini destacou que o PDDT é um instrumento estratégico de longo prazo, construído a partir de dados consolidados do Observatório do Turismo.
“O plano diretor é revisado a cada três anos e passa a valer de 2026 até 2029. Ele orienta as ações, define metas e organiza o desenvolvimento turístico de forma sustentável, evitando crescimento desordenado e melhorando a qualidade de vida da população”, afirmou.

Segundo os dados apresentados:
Marini ressaltou que o uso de dados técnicos tem sido decisivo para orientar políticas públicas e investimentos privados. “Hoje temos o Observatório institucionalizado por lei, com dados auditáveis e confiáveis. Isso muda completamente a capacidade de planejamento do município e do próprio trade.”

A revisão do PDDT organiza as ações em três grupos: permanentes, mantidas e novas iniciativas. Entre os principais eixos estão sustentabilidade, qualificação profissional, redução da sazonalidade, infraestrutura urbana e integração público-privada.

Entre as ações previstas estão:
Ao encerrar a apresentação, o secretário de Turismo Humberto Puttini reforçou o caráter institucional do plano.

“O turismo hoje é o que sustenta a economia de Olímpia. Os empregos, as oportunidades, o protagonismo da cidade vêm dessa atividade. O plano diretor existe para garantir que isso continue, independentemente de quem esteja no governo”, declarou.
Puttini afirmou que o documento protege o futuro do município. “Nós não somos o poder público, nós estamos. Amanhã pode entrar alguém que não goste do turismo. Sem um plano, todo esse trabalho pode se perder.”

Empresários relataram resistência de parte da população e do comércio tradicional ao funcionamento em horários compatíveis com uma cidade turística.
“O turismo em Olímpia é recente. Somos a primeira geração. Em destinos consolidados, a cultura passa de pai para filho. Aqui, precisamos trabalhar informação e educação”, disse o secretário.
Segundo ele, a estratégia é começar pelas escolas. “A criança entende. Ela vê que pode sair de um emprego simples e chegar a cargos de direção. Tudo passa por capacitação.”

A importância da água, elemento central para os parques e atrativos, foi tema recorrente, exposto pela vereadora Sônia Guerra.

“Uma cidade que vive da água precisa cuidar da água”, afirmou Puttini, ao explicar a criação de um selo de sustentabilidade. “Não é punição. É conscientização, com critérios técnicos, monitoramento e apoio às empresas.”
Marini complementou que o tema já está incorporado ao diagnóstico do plano, com projetos de monitoramento, recuperação de nascentes e parcerias com órgãos técnicos.

Representantes de pousadas questionaram a concorrência considerada desleal das casas de temporada.
O secretário esclareceu que a tributação do Airbnb já foi regulamentada e que as casas precisam de cadastro específico. “A penalização ocorre quando há publicidade sem registro. A fiscalização depende também da sociedade, por meio da ouvidoria.”

Hotéis e resorts relataram dificuldade para alojar funcionários devido à retenção de imóveis para aluguel de temporada.
“Não é justo ter imóveis fechados enquanto falta moradia. Por isso, o município avançou na tributação progressiva de imóveis ociosos e trabalha para ampliar a oferta de habitação popular”, afirmou Puttini.

Empresários apontaram queda abrupta de ocupação após o dia 10 de janeiro.
“O diagnóstico preliminar indica restrição financeira das famílias e proximidade do Carnaval. Não foi um fenômeno exclusivo de Olímpia”, disse o secretário, citando relatos semelhantes de outros destinos turísticos.

A ampliação contínua da oferta de leitos também gerou preocupação.
“O município não pode proibir investimentos, mas orienta. Hoje não faz sentido hotel dormitório. Faz sentido produto diferenciado, experiência. Isso é baseado em dados, não em opinião”, afirmou Puttini.

Hotéis da região central relataram desgaste com multas aplicadas logo pela manhã.
“Não é o valor da multa, é a experiência ruim que o hóspede leva”, disse uma representante.
O secretário afirmou que a demanda será levada aos setores responsáveis para avaliação.

O que: Audiência Pública da 2ª Revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico
Período do plano: 2026 a 2029
Responsáveis: Secretaria Municipal de Turismo, COMTUR e parceiros técnicos
Base legal: Lei Municipal nº 4.505/2020
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